A pandemia do novo coronavírus, que abalou fortemente a economia do país em diversos setores, provocou efeitos completamente opostos aos que se esperavam nas indústrias que compõem o Polo moveleiro de Linhares, um dos mais importantes do Brasil.
O empresário Nicholas Pessoti, diretor da ACP Móveis, informou que o segmento registrou crescimento além da expectativa, em torno de 70%, na produção e nas vendas de móveis nos últimos meses.
Cenário parecido ao verificado no comércio varejista de móveis, eletrodomésticos e utilidades para o lar. De acordo com o empresário Leonardo Conti, diretor da Móveis Linhares, uma das principais redes de lojas em atuação no Espírito Santo e Sul da Bahia, as vendas no setor também cresceram acima do planejado para o ano e ficaram em média 25% acima do volume registrado em 2019.
Ele apontou o item mais vendido, disparadamente, durante os meses de pandemia: o fogão, cujas vendas praticamente dobraram em 2020.
Na avaliação dos empresários, o crescimento além da expectativa ao invés de recessão, em um momento conturbado de crise que afeta toda a população, deve-se a um fato curioso:
“Por passarem mais tempo em casa, as pessoas estão mais atentas às suas necessidades domésticas e, sem opções de lazer, entretenimento e turismo, direcionam os recursos disponíveis para reformas e aquisições de bens de consumo duráveis, como móveis e eletrodomésticos”.
“O início da pandemia, entre março e abril, foi de muita apreensão e incerteza em relação ao futuro. Mas a situação se normalizou logo no mês seguinte (maio) e, a partir de então, foi só crescimento, um mês após o outro”, lembra Nicholas Pessoti.
Embora o setor permaneça aquecido e o momento seja positivo, Leonardo Conti prega cautela. “Estamos otimistas, mas precavidos ao mesmo tempo, pois o que vai ocorrer no cenário pós pandemia ainda é uma incógnita”, pondera.
A expectativa, conforme Nicholas Pessoti, é de que o setor mantenha o viés de alta pelo menos durante os primeiros quatro meses de 2021, tento em vista que a procura por produtos segue elevada e os estoques, tanto de lojistas quanto de fabricantes, permanecem baixos.
Contudo, outro empresário moveleiro de Linhares, Ademilse Guidini, diretor da Cimol Móveis, adverte que a escassez de matéria prima aliada às sucessivas altas nos preços dos insumos preocupa e pode ocasionar uma retração brusca nas vendas nos próximos meses.
Ele explica que as indústrias são obrigadas a repassar o aumento dos custos de produção, o que tem elevado o valor do produto final para o consumidor. Com os preços mais salgados, o temor é de que a população seja desestimulada a comprar, freando o consumo.





































































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