AViação Via Norte anunciou nesta sexta-feira (27) a aquisição de quatro novos ônibus para reforçar a frota do transporte coletivo que atende ao município de Linhares, no Norte do Estado. O investimento supera R$ 3 milhões, com custo aproximado de R$ 800 mil por veículo.
Com a incorporação dos novos coletivos, o sistema municipal passa a contar com 50 ônibus climatizados, alcançando 90% da frota titular equipada com ar-condicionado — número inédito no Espírito Santo.
Para efeito de comparação, na Grande Vitória, cerca de 50% dos ônibus do sistema Transcol são climatizados. Já em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Estado, apenas 25% da frota conta com ar-condicionado.
Apesar do investimento significativo, possibilitado através de financiamento bancário, a direção da empresa afirma que a atual equação financeira do sistema não se sustenta. Segundo a Via Norte, houve queda de aproximadamente 41% no número de passageiros pagantes desde a pandemia. Paralelamente, as gratuidades aumentaram significativamente, alcançando 1 milhão de giros de catraca em 2025, sem a correspondente compensação financeira.
Ainda de acordo com a empresa, esse cenário tem gerado déficit crescente, comprometendo a capacidade de investimento, a manutenção da frota, a regularidade das linhas e a qualidade do serviço prestado à população.
Outro fator que impacta os custos operacionais é o uso do ar-condicionado. Os veículos climatizados consomem entre 20% e 25% mais diesel por viagem, já que o motor precisa trabalhar com maior esforço para manter a cabine refrigerada, elevando as despesas da operação.

Serviço essencial
A direção ressalta que o transporte público é um serviço essencial, previsto na Constituição, e que sua deterioração afeta diretamente trabalhadores, estudantes, idosos, pessoas com deficiência e toda a cadeia produtiva local.
A empresa defende a construção de soluções sustentáveis por meio do diálogo entre poder público, operadores, órgãos de controle e sociedade civil, de modo a garantir a continuidade do serviço com eficiência, segurança e viabilidade financeira.
“Empresas de transporte coletivo não são instituições beneficentes. São negócios que geram empregos, pagam impostos, assumem riscos operacionais — como assaltos, acidentes e incêndios — e demandam investimentos permanentes. O lucro, nesse contexto, é legítimo, desde que seja justo, transparente e compatível com a responsabilidade de prestar um serviço público essencial à população”, argumenta a Via Norte.






































































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