Com a colheita da safra 2025/2026 a pleno vapor, produtores de café conilon do Norte do Espírito Santo acompanham com atenção o comportamento do mercado. Após a valorização histórica registrada entre o final de 2024 e o início de 2025, quando a saca do grão ultrapassou os R$ 2 mil, a tendência para os próximos meses é de retração nos preços, segundo avaliação do empresário Alfredo Giuberti. Os valores atuais têm oscilado abaixo dos US$ 200 dólares por saca, girando em torno de R$ 900 reais.
Um dos mais experientes empresários do setor cafeeiro da região, Alfredo Giuberti analisou o cenário atual do mercado e destacou as diversas variáveis capazes de influenciar a cotação da commodity. Fundador e diretor-proprietário da Giucafé Armazéns Gerais e Corretora, empresa sediada em Linhares com mais de 45 anos de atuação no Norte capixaba, ele acompanha de perto as movimentações do setor.
“São inúmeros os fatores que podem influenciar nos preços do café, que é uma verdadeira indústria a céu aberto, desde fenômenos climáticos, variações cambiais, guerras e até a atuação de grandes corporações nas bolsas de valores”, explicou o empresário.

As bolsas ICE de Nova York e ICE de Londres concentram as negociações internacionais e são responsáveis pela formação dos preços dos cafés arábica e conilon, respectivamente. Segundo Giuberti, há cerca de dois anos um movimento atípico e inverso vem interferindo nesses mercados, com os preços do café para entrega imediata superando aqueles negociados para contratos futuros.
De acordo com o empresário, embora diversos elementos impactem as cotações, o principal fundamento do mercado continua sendo a relação entre produção e consumo. Com base nesse contexto, ele avalia que a tendência para os próximos meses é de recuo nos preços do conilon, especialmente diante das projeções de uma safra recorde superior a 73 milhões de sacas de café no Brasil, sendo em torno de 24 milhões de conilon e 49 milhões de arábica.
Aliado a isso, o Vietnã, maior produtor mundial de conilon, deve recuperar nesta safra o patamar de aproximadamente 30 milhões de sacas, após enfrentar quedas significativas na produção em 2024 e 2025.

A perspectiva de crescimento na produção, segundo Alfredo Giuberti, se mantém para a safra 2026-2027, quando novas lavouras implantadas no período de preços elevados começam a atingir o pico de produtividade, fazendo o Brasil saltar para uma produção de até 30 milhões de sacas de conilon. Esse cenário somente será alterado em casos de fenômenos climáticos intensos, como geadas e a previsão de um El Niño severo entre junho deste ano e março de 2027.
Alfredo Giuberti considera improvável que os preços do café conilon retornem aos níveis recordes observados entre o final de 2024 e o início de 2025, quando a saca chegou a ser negociada por R$ 2.150, valor equivalente a cerca de US$ 380 dólares.
“Esse foi o maior preço histórico pago pela saca do conilon. Não acredito que se repita, pelo menos a pequeno e médio prazo, a menos que ocorra um fato excepcional. A média histórica do conilon é de US$ 90 dólares a saca”, explicou o diretor da Giucafé.

Com décadas de experiência no setor, Alfredo Giuberti lembra que também acompanhou períodos de forte desvalorização. Entre 2001 e 2002, a saca do conilon chegou a valer apenas US$ 17 dólares, o equivalente a cerca de R$ 40 na cotação da época.
Para o empresário, independentemente dos ciclos de alta ou baixa, os produtores mais eficientes são os que conseguem atravessar os períodos de crise com maior segurança.
“Como em outros cenários, os produtores tradicionais, que mantêm boa produtividade e custos mais baixos, sobrevivem à crise”, concluiu.





































































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