A produção industrial no Espírito Santo sofreu retração de 13,9% em 2020. Pelo terceiro ano consecutivo (-15,1% em 2019 e -1,7% em 2018), o setor acumula resultado negativo neste indicador. A queda no ano passado ficou acima da média nacional, que registrou decréscimo de 4,5% na produção. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foram divulgados em fevereiro pela Federação das Indústrias do Estado (Findes).
O setor extrativista, que sofreu queda de 28,9%, foi o que mais contribuiu para o resultado negativo da indústria capixaba. A produção na indústria de transformação caiu apenas 0,9% em 2020.
“A indústria brasileira vem sofrendo perdas antes da pandemia, devido ao elevado Custo Brasil, que mina a nossa competitividade. A série histórica do IBGE mostra que, nos últimos 12 anos, de 2009 a 2020, a perda acumulada na produção industrial é de 16,5%”, revelou a presidente da Findes, Cris Samorini.
A queda na produção industrial capixaba em 2020 foi a maior entre os Estados pesquisados pelo IBGE. “As medidas restritivas impostas pelo coronavírus prejudicaram as exportações e, em maio de 2020, no auge da pandemia, registramos o menor nível de produção desde 2002”, explicou Samorini.
Apesar da queda acentuada, há otimismo no setor em relação a 2021, levando em consideração principalmente o crescimento de 5,4% registrado em dezembro passado. O resultado individual do mês foi o melhor desde dezembro de 2016, segundo o Instituto de Desenvolvimento Industrial do Espírito Santo (Ideies).
Outro fator que justifica a confiança é a previsão de R$ 5,8 bilhões em investimentos somente para o setor industrial capixaba nos próximos dois anos, através do Plano ES Convivência Consciente, implementado em conjunto com o Governo Estadual, na busca pela organização e retomada da atividade econômica.
Há ainda a expectativa de que reformas indispensáveis para o desenvolvimento do setor possam avançar no Congresso Nacional, em especial a Reforma Tributária. “Defendemos intensamente uma política industrial com apoio ao desenvolvimento tecnológico das empresas e a urgência na aprovação das reformas”, destacou a presidente da Findes.
Desempenho setorial da indústria capixaba em 2020
- O principal destaque positivo no ano foi o crescimento de 21,8% na fabricação de celulose, papel e produtos de papel, puxada pela expansão da demanda mundial, principalmente na China e na Europa, por celulose de fibra curta para a produção de papel.
- A fabricação de produtos alimentícios cresceu 3,0% em 2020, influenciada pela maior produção de bombons e chocolates, açúcar cristal e massas alimentícias secas.
- O desempenho da fabricação de produtos de minerais não-metálicos (1,6%) no ano passado foi beneficiado pelo aumento na fabricação de cimentos “portland“ para a atendar a alta demanda pelo produto no setor de construção. Nos últimos meses de 2020, a produção de rochas ornamentais também impulsionou esse setor.
- A metalurgia retraiu -15,6% no estado, desempenho que foi impactado pela menor demanda mundial por aço, por causa da crise da Covid-19.
- A queda da indústria extrativa (-28,9%) em 2020 foi devido à menor produção de minério de ferro pelotizado e de óleo bruto de petróleo e gás natural. Ressalta-se que em dezembro de 2020, após cinco anos paralisada, a Samarco iniciou o processo de retomada da produção no Estado. E, no final do 4º trimestre desse ano a Vale do Rio Doce também retornou parcialmente todas as operações de finos de minério desativadas desde de 2019, no Complexo Vargem Grande (Brumadinho/MG), que abastece a planta da empresa no Espírito Santo. Essas retomadas de produção poderão beneficiar o resultado da indústria capixaba ao longo de 2021.




































































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