A previsão da ocorrência de um super El Niño no segundo semestre de 2026 coloca o setor agrícola em estado de atenção. No Espírito Santo, o fenômeno pode provocar redução no volume de chuvas e elevação extrema das temperaturas, condições capazes de afetar diretamente a produção rural, especialmente a cafeicultura, atividade de grande importância econômica nos municípios da região Norte do Estado.
Diante desse cenário, Sooretama realizou, no dia 18 de agosto, o seminário “El Niño e a Agricultura: Impactos, Monitoramento e Planejamento para o Produtor Rural”. O encontro, realizado na Câmara Municipal, teve como principal objetivo levar informação e orientação aos produtores locais para que possam se antecipar aos possíveis efeitos do fenômeno e adotar medidas de prevenção e planejamento dentro das propriedades.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e provoca alterações nos padrões de circulação atmosférica, influenciando o regime de chuvas e as temperaturas em diferentes regiões do planeta. No Espírito Santo, uma das principais preocupações é a possibilidade de períodos mais quentes e com menor disponibilidade de chuva, cenário que pode aumentar o estresse hídrico das lavouras e comprometer etapas importantes do ciclo produtivo.

Na cafeicultura, os efeitos podem ser sentidos tanto durante a colheita quanto na florada da próxima safra. A combinação de temperaturas elevadas e menor ocorrência de chuvas pode afetar o desenvolvimento das plantas, a qualidade dos grãos e a produtividade, além de aumentar a necessidade de planejamento para o uso da água e para a condução das lavouras em períodos de maior restrição hídrica.
Uma nota técnica conjunta do INPE, Inmet, Funceme e Censipam, divulgada em abril, apontou probabilidade superior a 80% de configuração do fenômeno ainda no primeiro semestre, com projeções superiores a 90% a partir da primavera. O cenário reforça a importância do acompanhamento das condições climáticas e da preparação antecipada dos produtores.
Foi justamente com essa preocupação que Sooretama promoveu o seminário, que contou com a participação do prefeito Fernando Camiletti e de outras autoridades locais. A proposta foi transformar as previsões climáticas em orientações práticas para quem está no campo, permitindo que os agricultores compreendam os possíveis impactos e possam tomar decisões com antecedência.

Durante o evento, o meteorologista Ivaniel Fôro Maia, agente de pesquisa e inovação em desenvolvimento rural do Incaper, explicou as características do El Niño, suas causas e as perspectivas para os próximos meses.
A programação também contou com a participação do engenheiro agrônomo Rodrigo Altoe, pesquisador com atuação na cafeicultura, que apresentou estratégias para reduzir os impactos do fenômeno na produção e orientações sobre como agir diante de um eventual cenário de crise.
O monitoramento climático e a atuação da Defesa Civil também foram abordados. O Capitão BM Amarildo, chefe da Repdec de Linhares, explicou como o fenômeno é acompanhado pelos órgãos oficiais, como são emitidos os alertas e quais canais podem ser utilizados pela população para receber informações atualizadas.
Outro ponto tratado no seminário foi o planejamento financeiro das propriedades. A gerente da agência do Sicredi, Elizangela Honorato, apresentou alternativas de apoio ao produtor em situações de eventos climáticos extremos, incluindo linhas de crédito rural, possibilidades de crédito emergencial quando disponíveis, renegociação de operações conforme a legislação e as normas do crédito rural, além de informações sobre seguro rural e formas de reduzir os impactos financeiros de eventuais perdas.
A orientação financeira também incluiu a importância de organizar as contas da propriedade, planejar investimentos e formar reservas para períodos de maior dificuldade.
Com o possível retorno do El Niño, o principal desafio para os produtores é transformar a previsão climática em planejamento. Para Sooretama, a realização do seminário representa uma iniciativa de preparação diante de um cenário que pode exigir maior atenção à disponibilidade de água, ao manejo das lavouras, à produtividade e à saúde financeira das propriedades.
O evento foi promovido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, com apoio da Defesa Civil e do Incaper, e terminou com espaço aberto para perguntas.
De acordo com o secretário de Meio Ambiente Vinícius Marcaro, a iniciativa reforçou a importância da informação e do monitoramento para que os produtores possam enfrentar possíveis adversidades climáticas com mais planejamento e segurança.



































































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