O ensaiado retorno do ex-governador Paulo Hartung (PSD) à cena política capixaba, após um período de quase oito anos afastado dos holofotes, agitou os bastidores da pré-campanha eleitoral no Espírito Santo nos últimos dias. O movimento, se confirmado, pode mudar a configuração da disputa pelo Governo do Estado, até então protagonizada pelo atual governador Ricardo Ferraço (MDB) e pelo ex-prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos).
A mais recente pesquisa do instituto Quaest, publicada pelo jornal A Gazeta na semana passada, mostrou o ex-governador com 19% das intenções de voto, tecnicamente empatado com os dois principais pré-candidatos declarados. Ricardo Ferraço aparece com 21%, enquanto Pazolini registra os mesmos 19% de Hartung.
Os números confirmam que, mesmo distante do tabuleiro eleitoral nos últimos anos, Paulo Hartung mantém capital político suficiente para credenciá-lo a uma eventual nova disputa pelo Palácio Anchieta, sobretudo com o também ex-governador e pré-candidato ao Senado, Renato Casagrande (PSB), fora da corrida ao governo.

Hartung havia se aproximado de Lorenzo Pazolini e manifestado a intenção de apoiá-lo, assim como o PSD, partido presidido no Espírito Santo pelo prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos, e que também tem no ex-prefeito de Linhares, Guerino Zanon, outra influente liderança regional.
Entretanto, a intempestiva aliança de Pazolini com o PL do senador Magno Malta e sua declaração de apoio ao presidenciável Flávio Bolsonaro tiveram como principal efeito colateral o afastamento de Hartung e do PSD. Os motivos são diversos.
Além de ter, em nível nacional, pré-candidatura própria à Presidência da República — a do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado —, o PSD esperava maior espaço na coalizão liderada pelo ex-prefeito da capital, especialmente para viabilizar a candidatura ao Senado do deputado estadual Sérgio Meneguelli. Esse espaço, porém, deverá ser ocupado pelo PL, com Magno Malta conseguindo emplacar sua filha, Maguinha, na disputa por uma vaga no Senado.
Paulo Hartung, por sua vez, sempre foi um crítico à polarização política do país entre dois extremos, um deles representado pela pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. Além disso, o ex-governador e Magno Malta jamais se sentaram à mesma mesa ou mantiveram qualquer relação de proximidade política.
Nesta semana, conforme informou o jornal A Gazeta, a cúpula do PSD confirmou que está aberta ao diálogo com outros pré-candidatos e não descarta lançar uma chapa “puro-sangue”, com Paulo Hartung para o governo e Sérgio Meneguelli para o Senado.
Os próximos capítulos dirão se a estratégia de Pazolini de buscar os votos do eleitorado conservador do Estado, associando sua imagem ao clã Bolsonaro, foi acertada ou representou um tiro no pé.
Em tese, a ruptura entre Pazolini e Hartung favorece Ricardo Ferraço. No entanto, caso Hartung decida realmente entrar na disputa, os três candidatos — Hartung, Ferraço e Pazolini — passam a correr o risco real de ficar fora do segundo turno. Os números da pesquisa Quaest sugerem essa possibilidade.
Capital político
Atualmente com 69 anos, Paulo Hartung foi o responsável por iniciar o processo de transformação política, administrativa e financeira no Espírito Santo a partir de 2003, quando assumiu o governo do Estado. Ele exerceu dois mandatos consecutivos, sendo que, no segundo, teve Ricardo Ferraço como vice-governador.
Em 2010, com índices recordes de aprovação popular, elegeu Renato Casagrande como seu sucessor no Palácio Anchieta e Ricardo Ferraço para uma vaga no Senado Federal, ambos com votações históricas. Em 2014, voltou ao governo ao derrotar Casagrande nas urnas. Já em 2018, desgastado pelos efeitos da longa greve da Polícia Militar, optou por não disputar a reeleição contra Casagrande, afastando-se, desde então, do processo eleitoral.





































































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