O anúncio do fechamento da maternidade do Hospital Rio Doce, feito nesta quinta-feira (2), caiu como uma bomba no Espírito Santo e gerou uma série de reações que pode culminar com a liquidação da Fundação Beneficente Rio Doce, mantenedora do hospital. Se confirmada, a medida resultará na transferência definitiva de seus ativos — incluindo o próprio hospital — para o controle do Estado.
Segundo nota divulgada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES), por meio da 4ª Promotoria de Justiça Cível de Linhares, a possibilidade de liquidação será avaliada em conjunto com os órgãos do sistema de saúde. A alternativa inclui a realização de uma auditoria forense sobre os atos de gestão da fundação.
Ainda na quinta-feira, o MPES ajuizou uma Ação Civil Pública, com pedido de Tutela Cautelar Antecedente, solicitando a intervenção imediata do Estado na administração da fundação, com o objetivo de assegurar a continuidade dos atendimentos médicos prestados pela maternidade.
O Ministério Público também explicou que a situação financeira da instituição vinha sendo acompanhada ao longo de 2025 e que já havia tratativas para a transferência da gestão. No entanto, a decisão unilateral de fechar a maternidade surpreendeu até mesmo os órgãos de controle.
Na mesma data, enquanto divulgava um plano de contingência emergencial para garantir a continuidade dos serviços, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) afirmou que a decisão da instituição não ficaria sem responsabilização.
Em nota, a Sesa informou a instauração de auditorias rigorosas sobre a gestão da Fundação Beneficente Rio Doce e a adoção de medidas legais cabíveis, incluindo representação junto ao Ministério Público e denúncia criminal contra o corpo diretor da fundação. O motivo seria a interrupção abrupta de um serviço essencial, descumprindo unilateralmente um contrato vigente, pelo qual o Estado repassa mensalmente R$ 9,3 milhões para custeio da maternidade e outros serviços.
Mais tarde, em pronunciamento, o provedor do Hospital Rio Doce, Dalziso Armani, confirmou que a fundação acumula uma dívida de R$ 100 milhões, contraída ao longo dos anos. Ele afirmou que a crise financeira vem comprometendo a continuidade dos serviços, dificultando inclusive a formação de plantões médicos por falta de recursos para pagamento.
Armani também declarou que a gravidade da situação e o pedido de socorro já haviam sido comunicados ao Ministério Público e à Sesa desde o início deste ano, mas sem obter respostas efetivas.
Fundado em 26 de julho de 1969, o Hospital Rio Doce é uma instituição filantrópica e sempre foi motivo de orgulho para os moradores de Linhares. Ao longo de seus mais de 55 anos de história, o hospital expandiu sua atuação e se tornou referência em procedimentos de média e alta complexidade na região Norte do Espírito Santo. Agora, atravessa um dos momentos mais delicados de sua trajetória.
Acompanhe o caso:
Atendimento na maternidade do Hospital Rio Doce está mantido
Secretário de Estado da Saúde detona Hospital Rio Doce por fechamento de maternidade







































































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