Após exatos nove meses de investigações, a Polícia Civil do Espírito Santo começa a desbaratar a trama arquitetada para assassinar o vereador Leomar Cazoti Mandato, de Governador Lindenberg, no Norte do Estado. Candidato à reeleição, o parlamentar de 43 anos foi covardemente executado a tiros, em 30 de agosto de 2024, em plena campanha eleitoral, durante um evento político na Fazenda Bernabé, interior do município. Os dois executores estavam em uma motocicleta. O crime teve repercussão estadual e, na ocasião, o governador Renato Casagrande assegurou que os responsáveis não ficariam impunes.
Nesta sexta-feira (30), durante a Operação Lista Negra, a Polícia Civil prendeu dois suspeitos de envolvimento na morte de Leomar Mandato e cumpriu 16 mandados de busca e apreensão em Governador Lindenberg, Colatina e em municípios da Grande Vitória. Uma arma de fogo — um revólver calibre 38, mesmo tipo utilizado no assassinato do vereador, foi apreendida e será submetida à perícia.
Os suspeitos presos são Reinaldo de Oliveira, conhecido na região pelo apelido de ‘Cupim’, e Maycon Oliveira Trarbach. Os dois são tio e sobrinho e, conforme informações extraoficiais, teriam laços de parentesco com um secretário da atual administração municipal de Governador Lindenberg. O pai do secretário, inclusive, teria sido um dos alvos dos mandados de busca e apreensão cumpridos nesta sexta-feira.
‘Cupim’ foi preso em Córrego Moacir, distrito do município, onde mora, enquanto Maycon foi encontrado pela Polícia em Cariacica, onde passou a residir. O delegado Guilherme Eugênio Rodrigues, responsável pelo caso, revelou que nenhum dos dois figura como autor dos disparos que mataram o vereador, mas as investigações apontam claros indícios da participação de ambos no crime.
O delegado confirmou a existência de mais de 10 pessoas investigadas como suspeitas de envolvimento na morte de Leomar Mandato. “Foram muitos mandados de pessoas que aparentemente se encontram, de alguma forma, envolvidas nesse homicídio. A prática de um homicídio não se resume à realização de disparos. Até que se chegue nessa etapa, há alguém que passa informações privilegiadas, monitora a movimentação da vítima, que apura as intenções da vítima, que levanta o local, pessoas que emprestam motos e armas. Não é impossível que um único homicídio chegue a mais de 10 condenações. Não posso dizer que isso vai acontecer, é muito cedo para afirmar, mas tento explicar porque tantas buscas para a elucidação do crime”, disse ele.

A Polícia Civil ainda investiga se Leomar Mandato teria sido assassinado em retaliação pelas denuncias que fazia apontando supostas irregularidades na contratação e pagamento de serviços e obras públicas. Ele fazia forte oposição à administração do atual prefeito Leonardo Finco e, antes de ser morto, formalizou várias denúncias ao Ministério Público Estadual (MPES).
Em reportagens, o Jornal Norte Capixaba noticiou com exclusividade alguns dos fatos denunciados pelo vereador. Relembre:
Na Mira do MP: Prefeitura de Governador Lindenberg gasta valor exorbitante com empresa de solda
Indícios de superfaturamento em serviços pagos pela Prefeitura de Governador Lindenberg
Prefeito de Governador Lindenberg é alvo de ação do MPES por improbidade administrativa





































































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