A Escola Comunitária Rural Municipal – Ecorm Japira, localizada em Jaguaré, no norte do ES, realizou no último dia 26 de julho uma ação voltada à conscientização de pais e responsáveis sobre os riscos do uso excessivo de telas por adolescentes. A atividade contou com a palestra “Adolescentes na família na era da internet”, ministrada pelo psicólogo e escritor Gerson Abarca, especialista em Psicologia Clínica e Educacional.
A iniciativa surgiu da preocupação da equipe escolar diante de casos recentes de bullying e ciberbullying envolvendo estudantes. A direção e o Conselho de Escola identificaram uma forte relação entre esses episódios e o uso abusivo de dispositivos eletrônicos, como celulares, tablets e computadores.
“É preciso que os pais controlem a quantidade de tempo em frente às telas, especialmente nessa faixa etária entre 11 e 15 anos”, alertou a diretora da escola, Eliene Pretti.
Internet na medida certa
Durante o encontro, Abarca destacou que o tempo em frente às telas deve ser monitorado rigorosamente pelas famílias. Como orientação prática, o psicólogo sugeriu o limite de até duas horas diárias de acesso à internet, preferencialmente divididas entre manhã e noite. Ele também recomendou que as escolas evitem enviar atividades para casa que exijam uso de internet pelo celular, priorizando o uso pedagógico da tecnologia apenas dentro do ambiente escolar, sob supervisão.
“Se a família não limitar o tempo de internet, os jovens podem ter acesso a informações erradas ou inapropriadas”, ressaltou o palestrante.
A palestra com o psicólogo Gerson Abarca foi realizada durante a Assembleia das Famílias da Escola Comunitária Rural de Japira, em Jaguaré
Participação e reflexão
O evento, que integrou a segunda Assembleia de Famílias da escola, reuniu 53 participantes e teve espaço para perguntas e trocas de experiências. Muitos pais consideraram o momento oportuno para refletirem sobre sua atuação no acompanhamento dos filhos.
A mãe de um estudante, Eliane, compartilhou sua percepção após o encontro:
“O que mais me chamou atenção foi perceber que o uso excessivo de telas está destruindo nossas crianças e adolescentes. Mas ainda há tempo de ajudar, seja com diálogo, terapia ou até apoio médico, quando necessário.”
Palestrante Gerson Abarca com membros do corpo educacional da escola e alunos
Educação em parceria com as famílias
A secretária municipal de Educação, Maria Aparecida Costalonga, acompanhou a iniciativa e reforçou a importância da colaboração entre escola e famílias no processo formativo dos estudantes.
“A Secretaria tem incentivado ações formativas como esta, com foco no diálogo e na construção coletiva de soluções. O envolvimento das famílias é essencial para o desenvolvimento dos nossos alunos”, afirmou.
Transtornos ou excesso de tela?
Um dos pontos destacados por Gerson Abarca foi o risco de diagnósticos equivocados, como déficit de atenção, quando o verdadeiro problema pode ser o uso exagerado de telas. Para o psicólogo, a simples mudança de hábitos já pode trazer melhorias significativas no comportamento e rendimento escolar dos jovens.
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